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A inteligência para evitar a guerra

confrontos-na-ucraniaAs relações entre a Rússia e a Ucrânia passaram para um nível de tensão muito perto do conflito armado, em alguns locais com os militares dos dois lados a enfrentarem-se tão perto que a expressão “olhos nos olhos” não é uma figura literária. Mas uma guerra é tudo o que a Europa não precisa.

O Ocidente, disposto a evitar esse conflito, que para muitos é um dado adquirido, tomou uma série de iniciativas. As Nações Unidas apelaram ao diálogo entre as duas partes, os Estados Unidos ameaçaram com a expulsão da Rússia do G8, a União Europeia reúne hoje os chefes da sua diplomacia para debater a crise na Ucrânia, cujo primeiro-ministro afirmou que o país está à beira do desastre e pediu ajuda à NATO, como se o seu país fizesse parte da velha rival do extinto Pacto de Varsóvia. Rasmussen, secretário-geral da Aliança Atlântica, não perdeu tempo e veio à ribalta para alertar que a crise ucraniana põe em perigo a Europa.

A afirmação de Rasmussen é verdadeira mas o emissário foi o menos adequado: a Ucrânia não faz parte da NATO e esta sempre foi olhada com desconfiança por Moscovo, dada a política expansionista para leste posta em prática pela Aliança. Aliás, foi para impedir que a Geórgia caísse na órbita da NATO que a Rússia a invadiu em 2008. E o caso da Ucrânia não difere muito do da Geórgia. E não será com determinado tipo de ameaças que se levará o “urso” russo a recuar, até porque recebe o apoio de parte da população da Ucrânia e da Crimeia. A Europa tem de agir de forma muito inteligente se quer evitar que o conflito aconteça. E olhar também com olhos de ver para o novo governo de Kiev. É que nem sempre quem se opõe a um ditador é um democrata.

Transparência

Depois de ter ganho as eleições, Pedro Passos Coelho assumiu o desígnio de liderar o governo mais pequeno da história democrática. Os primeiros resultados demonstraram que a opção política, além de demagógica, era ineficaz. Criaram-se megaministérios ingovernáveis, tutelados por ministros com pouca experiência e peso político.

A meio deste percurso, foram feitos ajustamentos que implicaram a quebra do compromisso assumido de início, mas com óbvios ganhos de eficiência. Porém, ao lado da equipa de ministros e secretários de Estado foi crescendo uma espécie de “governo paralelo”. Como o DN hoje revela, foram constituídos desde que Passos Coelho assumiu funções 208 grupos de trabalho.

É certo que boa parte deles não são remunerados e, por isso, não implicam despesa direta. No entanto, uma parte significativa destas estruturas (58 delas) não têm trabalho conhecido porque, entende o Governo, a sua produção não corresponde a “instrumentos finais de execução de políticas públicas”. E, noutros casos, as tarefas que lhes foram encomendadas acabaram no fundo de uma gaveta. A questão que se coloca é que, em democracia, a regra tem de ser a da transparência. E, nesse sentido, importa saber qual a razão para a Administração Central ter crescido para os lados como parece. E, mais ainda, saber o que fazem os grupos de trabalho e que interesses representam. O escrutínio não é compatível com a atitude de omitir o trabalho destas equipas. E, pior ainda, mesmo não havendo custos diretos com as pessoas que integram os grupos de trabalho, coloca-se uma outra questão: se tempo é dinheiro, qual é a utilidade de ter gente a produzir reflexão, conclusões e propostas durante meses que depois não são aproveitadas?

Extraída do: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/editorial.aspx?content_id=3716586&page=-1

Sobre Beto Batalha | IguaíBAHIA.com.br

Érito Roberto (Beto Batalha) - Criador do Site IguaiBAHIA. Criado em Iguaí, onde viveu e estudou até os quatorze anos. Mudou-se para São Paulo em 1980, onde vive até hoje. Formado em Direito. Casado, com Maria do Socorro Rosa Freire, pai de 4 filhos, (dois do primeiro casamento, e dois do segundo casamento). Trabalha atualmente no Ministério Público do Estado de São Paulo.

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