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Eu também tenho um sonho

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No dia 28.08.1963, um pastor da Igreja Batista americana, Martin Luther King, em uma de suas muitas intervenções em prol da igualdade de direitos civis entre negros e brancos americanos, proferiu um discurso que foi eleito um dos maiores discursos da história: “I Have a Dream” (Eu Tenho Um Sonho). Este pastor, além de atuar na igreja, era empenhado em campanhas de não violência e de amor para com o próximo (esteve na India e se encantou com a forma como Gandhi conduzia os seus protestos). Isto lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 1964 – a pessoa mais jovem a conquistar tal honraria.

Segue abaixo partes do discurso, em que ele citava a desigualdade imperante nos E.U.A daquela época, mas que espelha a sua preocupação como um todo:

“… Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado…”

Bem, eu também tenho este sonho que Martin Luther King tinha. Acredito que muitos de nós, também o tem. O de que sejamos tratados como irmãos de um mesmo Pai; o de que a cor de nossa pele não interfira ou pese no nosso caráter; o de que o meu nível de escolaridade não seja motivo para humilhar outros que não puderam ter; o de que os $$$$ que se encontra em minha conta bancária, não seja motivo para diminuir meus semelhantes…

Eu também tenho um sonho: o de que os nossos representantes religiosos se preocupem com o “estar bem” de seus irmãos e não “com os bens” deles; o de que os nossos representantes políticos estejam preocupados com a possibilidade de crescimento de um povo, como um todo, não apenas com o crescimento material de sua família e apensos (namorado da neta; prima da rapariga do guarda, etc)…

Quando tudo parecer “esterco”, retirem apenas o que é necessário para sobreviver, assim como fazem as flores…

A mudança de um mundo, começo no quintal de nossa casa. Se cada um cuidasse de seu jardim, de suas vidas, não veríamos tanta coisa suja por aí…

Precisamos nos espelhar em pessoas como Martin Luther King, que lutou por ideais que ajudariam toda uma nação. Quando ele disse em certa ocasião “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.” Parecia até que estava falando do Brasil, não acham? Mas em todo lugar vamos encontrar pessoas com procedimentos incorretos. O que eu espero é que mais pessoas BOAS se levantem e falem, mesmo que com a voz embargada em emoção e já fragilizada pela idade, como fez o senador Eduardo Suplicy esses dias.

“Eu tive muitas coisas que guardei em minhas mãos, e as perdi. Mas tudo o que eu guardei nas mãos de Deus, eu ainda possuo” (Martn Luther King)

Muitos Beijinhos

Autora: Sira Sirlene Rodrigues da Rocha

Sobre Beto Batalha | IguaíBAHIA.com.br

Érito Roberto (Beto Batalha) - Criador do Site IguaiBAHIA. Criado em Iguaí, onde viveu e estudou até os quatorze anos. Mudou-se para São Paulo em 1980, onde vive até hoje. Formado em Direito. Casado, com Maria do Socorro Rosa Freire, pai de 4 filhos, (dois do primeiro casamento, e dois do segundo casamento). Trabalha atualmente no Ministério Público do Estado de São Paulo.

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