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Clipe de banda de Conquista faria apologia ao “estupro”, denunciam movimentos sociais pela internet

Ao todo, 27 movimentos sociais de Vitória da Conquista assinaram nota de repúdio ao clipe “Tigrão Gostoso”, da banda Abrakadabra.

 

Por meio de nota veiculada a partir das redes, movimentos sociais de Vitória da Conquista denunciam o clipe “Tigrão Gostoso” da banda local Abrakadabra.

Segundo a nota, o clipe desenrola de forma a enaltecer a posição do homem como opressor e o coloca como “dono” do corpo da mulher, naturalizando o sexo sem consentimento (mais conhecido como crime de estupro).

Os movimentos ainda atentam para o papel que o material cumpre para reforçar a imagem da mulher como um ser frágil e submisso. Nele, a personagem é mostrada sem autonomia de vontade, sendo explícita a apologia ao estupro durante toda a música, como pode-se perceber nos trechos: “mas eu tô com medo, você vai me machucar” ou “é na hora do pavor que o bicho vai pegar”.

Ao final da nota, chama-se uma campanha para ajudar a denunciar o vídeo abusivo e criminoso (apologia ao estupro é crime previsto pelo artigo 287 do Código Penal). As marcas que patrocinaram a realização do clipe sem nenhum tipo de preocupação com o conteúdo veiculado também são alvo da denúncia.

Nota do Blog do Marcelo: A reportagem tentou entrar em contato com o a produção da banda Abrakadabra, sem sucesso. O Blog do Marcelo oferece este espaço para que a banda dê a sua versão dos fatos, garantindo antecipadamente seu direito de resposta.

Leia a nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO AO CLIPE “TIGRÃO GOSTOSO” DA BANDA ABRAKADABRA

Nós, movimentos sociais, entidades estudantis e organizações, viemos declarar nosso repúdio à banda conquistense Abrakadabra e seus patrocinadores pela veiculação do clipe da música “Tigrão Gostoso”, disponível no youtube, link:http://www.youtube.com/watch?v=Dt9BxE7wf-I. No início do clip, retrata-se uma situação que é corriqueira na vida de todas as mulheres, que vivem diariamente o medo e a insegurança de serem violentadas ao andarem sozinhas à noite ou em ruas desertas. Entretanto, ao invés de se denunciar a violência sexual, o clipe se desenrola de forma a enaltecer a posição do estuprador, colocado como a figura do “tigrão gostoso”, de modo a associar a agressividade à masculinidade. Por outro lado, reforça a imagem da mulher como um ser frágil e submisso, sem autonomia de vontade, sendo explícita a apologia ao estupro durante toda a música, como pode-se perceber nos trechos: “mas eu tô com medo, você vai me machucar” ou “é na hora do pavor que o bicho vai pegar”.

Infelizmente, esse não é um caso isolado e não se relaciona apenas a um determinado estilo musical. Cotidianamente, as infinitas formas de violência contra a mulher passam despercebidas nas rádios, na TV, nos outdoors. A exemplo disso, temos as propagandas de cerveja e de determinadas festas, em que os corpos seminus das mulheres são utilizados com objetivos comerciais, reforçando o estereótipo equivocado da mulher como mercadoria, como objeto sexual, reproduzindo discursos e práticas machistas, num processo de mercantilização do corpo feminino.

A violência é utilizada como forma de controle sobre a vida, o corpo e a sexualidade das mulheres, como uma punição para aquelas que não obedecem aos padrões de conduta a elas impostas. O estupro é talvez a manifestação mais cruel da violência machista, pois anuncia o fato de que a mulher não tem possibilidade de escolhas sobre o seu próprio corpo, e que nossas vidas estão inscritas no limite da subordinação aos homens. O medo do estupro restringe a liberdade de ir e vir das mulheres, viola o seu direito de livre expressão (de poder se vestir como quiser, por exemplo), sendo que a cultura do estupro culpabiliza a mulher pela violência sofrida, pelo fato de estarem utilizando determinadas roupas ou frequentando determinados locais.

No Brasil, as estimativas acerca da violência crescem assustadoramente a cada ano (somente no ano de 2012, o número de estupros notificados chegou a 50 mil), e casos de estupro coletivo indignam a sociedade, que se mobiliza exigindo a punição, como o da Banda New Hit, cujos 9 integrantes, no ano passado, violentaram covardemente duas jovens menores de idade após um show em praça pública na cidade de Ruy Barbosa, na Bahia. Diante disto, um clipe como este representa uma afronta aos direitos das mulheres e não ficará por isso mesmo! É inadmissível que uma banda lucre a partir da naturalização da violência e da apologia ao estupro! Vale lembrar aos integrantes da banda Abrakadabra que apologia ao estupro é CRIME punido com detenção pelo Código Penal, em seu artigo 287.

Desta forma é que iniciamos esta campanha de denúncia, exigindo que a produção da banda e os patrocinadores se retratem e retirem do ar o clipe, contando também com a colaboração de todos e todas que leiam esta nota para que DENUNCIEM O VÍDEO NO YOUTUBE.

Não nos calaremos!
Contra a banalização da violência, seguiremos em marcha!
Assinam esta nota:

Marcha Mundial das Mulheres
Núcleo Maria Rogaciana
Centro Acadêmico de Ciências Sociais da UESB
Centro Acadêmico de Direito da UESB
Centro Acadêmico de Comunicação Social da UESB
Centro Acadêmico de Nutrição da UFBA
Núcleo Negra Zeferina
União de Mulheres de Vitória da Conquista
Levante Popular da Juventude
Consulta Popular
Movimento Negro Unificado
Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região
Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Pública da Bahia – SINDILIMP
Circuito Fora do Eixo
Grupo ELO
Enegrecer – Coletivo Nacional de Juventude Negra
Diretório Central de Estudantes – UFBA
Centro Acadêmico Ruy Medeiros – Direito/ UESB
Centro Acadêmico de Geografia – UESB
Centro Acadêmico de Nutrição IMS/UFBA – Gestão RenovAÇÃO
Centro Acadêmico Machado Neto – Direito/ FAINOR
Diretório Acadêmico de Engenharia Elétrica – IFBA
Centro Acadêmico de Filosofia – UESB
Diretório Acadêmico Luislinda Valois – Direito/ UNEB – Campus XX)
Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB
Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF
GUNALE – Grêmio da União Aluno-Escola IFBA
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PS: Estas são as empresas que patrocinam o clipe: Centro de Estética Dr. Humberto Neto; Zip Nautica Vitória da Conquista; Mil Coisas Moda Fitness; MNA Suplementos; Life Club Academia; danilonune.com.br; YagoBorges Designer Gráfico.

Matéria reproduzida do Blog do Marcelo

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